A Colonização de Rondônia, terras de pioneiros

Colonização de Rondônia na década de 70 do século 21.
IMPLANTAÇÃO DOS PRINCIPAIS PROJETOS DE
COLONIZAÇÃO
Com a abertura da BR-364, entre 1960 e 166, a
rodovia de acesso ao então Território Federal de Rondônia, construída por
iniciativa do presidente Juscelino Kubistchek, passa a influir de modo decisivo
no processo de colonização regional. Ao longo de seu percurso entre Cuiabá-MT e
Porto Velho-RO, passaram a se desenvolver os poucos vilarejos que haviam
surgidos com os seringueiros, entre eles Vila de Rondônia (atual cidade de
Ji-Paraná) onde se instalou a colonizadora Calama e deu-se início à colonização
de terras rurais nas proximidades. Próximo a Pimenta Bueno instalou-se a
colonizadora Itaporanga e iniciou a colonização na região de Espigão do Oeste.
Neste período, iniciava-se também a grilagem
ou invasão de áreas de terras da União e de fazenda de seringalistas,
ocasionando várias mortes com os conflitos entre pistoleiros e posseiros.
O governo federal, com o argumento de
“integrar para não entregar”, resolveu promover a colonização do Território
Federal de Rondônia. A partir do INCRA, executando a implantação dos projetos,
será gradativo, mas decisivo, para a instalação de um novo estado da federação.
Localidade de Vila de Rondônia hoje Ji-Paraná.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária, foi criado em 9 de junho de 1970, pelo presidente da República Emílio
Garrastazu Médici. Nesse período, o governo federal nomeou o engenheiro Assis
Canuto para executar o primeiro projeto.
Iniciava os anos 70, o INCRA deu início à
implantação de Projetos Integrados de Colonização, com investimentos de valores
para a demarcação e distribuição de lotes de terras rurais, abertura de
estradas, construção de pontes, implantação de infra-estrutura básica e
atendimento aos colonos, com recursos do POLONOROESTE.
Região de Vilhena no início da década de 70 em Rondônia.
O primeiro Projeto Integrado de Colonização
foi o PIC- Ouro Preto, implantado em 19 de junho de 1970, na região de Ouro
Preto do Oeste. Esse projeto assentou 5.162 famílias, cada qual em uma área de
100 hectares. Ressaltamos que a previsão era assentar nesse projeto apenas mil
famílias. Foi através do PIC-Ouro Preto que surgiu a cidade de Ouro Preto do
Oeste. Nesse mesmo período foi deflagrada uma campanha publicitária nas regiões
sul e sudeste do país “ Rondônia, o Novo Eldorado”, o que gerou um considerável
fluxo migratório com destino ao então Território Federal de Rondônia,
acarretando na necessidade de novos projetos serem implantados.
O segundo projeto de colonização foi
implantado em 13 de agosto de 1971, na região de Guajará-Mirim, denominado
PIC-Sidney Girão, onde surgiu a cidade de Nova Mamoré, nesse projeto foram
assentadas 3,686 famílias, em lotes rurais de cem hectares cada.
Em 16 de julho de 1972, foi implantado o PIC
Gy-Paraná na região do Seringal Cacaual, à margem direita do Rio Machado ou
Ji-Paraná, porém, antes mesmo da distribuição dos lotes rurais e algumas
famílias de migrantes das regiões Sul e Sudeste do país, que chegaram,
acamparam e permaneceram às margens do Igarapé Pirarara com a BR-364 (029),
onde surgiu a cidade de Cacoal.
Localidade de Rolim de Moura em Rondônia em 1975
Foi a partir desse projeto que surgiram as
cidades de Cacoal, Ministro Andreazza, Rolim de Moura, Santa Luzia do Oeste,
Novo Horizonte do Oeste, Alta Floresta do Oeste e Alto Parecis. Nesse projeto foram
assentadas 4.756 famílias em lotes rurais de cem hectares.
Em 1973, ocorreu a implantação do PIC-Paulo
Assis Ribeiro, que deu origem à cidade de Colorado do Oeste e às cidades
vizinhas, e foi extremamente importante para o desenvolvimento da cidade de
Vilhena, que surgiu como localidade a partir da instalação de posto telegráfico
da Comissão Rondon em 12 de outubro de 1911.
Jorge Teixeira e Humberto Guedes últimos governadores do Território Federal
Em 21 de abril de 1974, começou a implantação
do Projeto de Assentamento Dirigido (PAD) Burareiro na região de Ariquemes, o
qual distribuiu lotes rurais de tamanho médio entre 125 e 250 hectares. Nesse
projeto foram assentadas 5.585 famílias. Posteriormente, na região de
Ariquemes, foi implantado também o PAD Marechal Dutra que distribuiu áreas de
cem hectares, onde foram assentadas 4.667 famílias. Isso proporcionou o
desenvolvimento da Vila de Ariquemes, que já existia por conta dos vários
seringais do lugar e também em virtude de uma outra estação telegráfica de
Rondon.
O PIC – Padre Adolpho Rohl foi implantado em
20 de novembro de 1975 e colonizou a região de Jaru. Ainda em 1975, o INCRA
implanta o setor Rolim de Moura, uma extensão do PIC-Gy-Paraná, que colonizou a
região onde surgiu a cidade de Rolim de Moura e outras localidades.
Índios em Rondônia sofrem com o avanço da Colonização
A migração, que chegava ao então Território
de Rondônia, a partir 1970, e aumentava gradativamente, e teve seu auge entre
1975 a 1985. Foi nesse período que ocorreu a ocupação por posseiros de diversas
regiões de Rondônia, principalmente próximo ao setor de Rolim de Moura e na
região de Alvorada do Oeste. Para regularizar a região o INCRA, novamente
intervêm.
A partir de 1981, o INCRA implanta projetos
de assentamentos rápidos – PAR em Urupá em julho de 81, em Machadinho em 1982,
em 1983 na região do Guaporé que proporciona o surgimento das cidades de Seringueiras
e São Miguel. E em 1984 foi implantado o de Cujubim, onde se distribuiu áreas
rurais de tamanho médio de 50 há e se deu a origem à cidade de Cujubim.
Os projetos de colonização implantados nos
anos 70 não consistiam apenas na distribuição de lotes de terras rurais.
Trabalhando em plena selva, o INCRA demarcava os lotes abrindo picadas,
denominadas de linhas, e os colonos eram encaminhados aos seus lotes e, em
seguida, os tratores faziam estradas. Esses colonos enfrentavam a mata densa,
as doenças endêmicas, principalmente a malária que dizimava centenas de
pessoas. A derrubada de árvores, vitimavam grande quantidade de trabalhadores
em constantes acidentes.
Governador Jorge Teixeira foi importante para a criação do Estado de Rondônia 
Rondônia contava com apenas dois municípios,
Porto Velho a capital, e Guajará-Mirim. A colonização proporcionou o
desenvolvimento dessas vilas remanescentes do período dos seringueiros e foi
responsável pelo surgimento de várias outras.
A colonização de Rondônia teve um alto preço.
Foi feita evidentemente para beneficiar muitos colonos do sul e sudeste do
Brasil, que não encontravam mais terras para o cultivo. Mas o custo disso foi o
impacto sobre as populações nativas e índios. Além dos conflitos por terra e o
impacto ambiental na Amazônia.
Não foi nada fácil encarar a verdadeira
aventura de desbravar a Amazônia e criar um novo Estado no Brasil. Depois de
vencidos todos os obstáculos, finalmente, Rondônia aproximava-se de sua maior
idade. No dia 11 de outubro de 1977, através do artigo 47, da Lei n° 6.448,
assinados pelo Presidente Ernesto Geisel eram criados os municípios de
Ji-Paraná, Cacoal, Ariquemes, Pimenta Bueno e Vilhena. A partir de 1970, quando
a BR-364 já se encontrava encascalhada, possibilitando boa condição de
trânsito, o fluxo migratório vindo do Centro-sul, que convergia para Rondônia,
passou a ser muito intenso, além dos núcleos situados às margens da BR-364, que
se desenvolveram e alcançaram as suas emancipações. Surgiram novos povoados que
se localizaram fora da BR-364, que também passaram a se desenvolver alcançando
certo grau de prosperidade.
Sendo assim, em 16 de junho de 1981, o
Presidente da República, João Batista Figueiredo assinava a Lei n° 6.921,
criando os municípios de Colorado do Oeste, Costa Marques, Espigão do Oeste,
Ouro Preto do Oeste, Jaru e Presidente Médici. Na verdade, a criação de novos
municípios caracterizava-se como uma forma preparativa para a elevação do
Território à condição de Estado.
A euforia vivida em decorrência do
desenvolvimento alcançado na década de 70 e o início de 80, colocavam Rondônia
em uma posição reconhecida nacionalmente. As correntes políticas compostas de
representantes de camadas sociais diversas, aglutinaram-se em torno de um só
pensamento. Havia ali representantes de várias qualificações profissionais e de
origens regionais diferentes, que naquela oportunidade, em sua maioria,
convergiam para um só objetivo: a “emancipação” política de Rondônia.

Aleks Palitot
Professor e Historiador