Artigo da Semana

Faces da História

 Quem é analfabeto
É polêmica a definição de analfabetismo. No Brasil, considera-se oficialmente alfabetizado quem sabe escrever um bilhete simples. Mas exitem estudos indicando que quem não foi pelo menos quatro anos à escola pode ser considerado um analfabeto de fato.
Sem esses quatro anos para fixar as letras, a pessoa esqueceria o que aprendeu. Por esse critério, calcula-se que 36,6% dos brasileiros seriam analfabetos. Por trás dessa taxa esconde-se um grave efeito político.
A democracia é o regime que garante a liberdade de todos escolherem seus governantes. Mas só existe liberdade quando se pode optar. E só existe opção quando se tem informação. A capacidade de um analfabeto obter informação e processá-la é muito limitada. Ninguém pode dizer que é livre para tomar o sorvete que quiser se conhece apenas o sabor limão. Para um analfabeto, é muito mais difícil avaliar e comparar as propostas dos candidatos, notar suas contradições, avaliar cada detalhe, informar-se sobre seu passado. Essa dificuldade existe para qualquer pessoa desinformada, seja ela analfabeta ou não.
Para ficarmos em apenas um exemplo, lembramos da eleição de Fernando Collor, em 1989. Apesar das advertências  sobre suas contradições, publicadas em jornais e revistas, ele venceu as eleições presidenciais daquele ano. Havia uma série de dados mostrando a diferença entre o que ele prometia e seu passado, inclusive no campo da moralidade. Ainda assim, no primeiro turno das eleições ele recebeu uma grande quantidade de votos. E a maior parte desses votos veio de pessoas com menor instrução. Ela se sensibilizaram com a promessa de salvação para os “descamisados”.
Collor chegou ao poder, mas logo o perderia, depois de um desgastante processo de impeachment , em que foi acusado de corrupção. Isso apesar de ter ganho a eleição com a  bandeira da moralidade. Esse fato mostra o quanto a educação é importante. Ela é um dos pilares da democracia. Quanto mais politizado for um cidadão, mais difícil será a vida dos demagogos. E não se trata apenas de uma questão política. Trata-se de fazer valer todos os seus direitos. O direito de não morrer numa fila do INSS, e de ter seus direitos trabalhistas garantidos, de ser indenizado por ter ingerido produtos estragados, enfim, de levar uma vida condigna.
                                                                                                           
Aleksander Allen Nina Palitot
O autor é Historiador