Jaru: terra de gigantes

Estação Telegráfica de Jaru – Comissão Rondon
Dentre as grandes nações indígenas que dominavam a região territorial
de Rondônia, destacavam-se os Jarus, que se localizavam às margens dos igarapés
Pacaás Novas e Ouro Preto, afluentes do rio Mamoré; Aripuanã e Roosevelt, além
do rio que leva seu nome. Arredios e agressivos, os Jarus se confudiam com os
índios Toras, Urupás e os Pacaás Novos; estes últimos pertenciam às nações dos
Jarus e Chapacuras.
Rodoviária da localidade de Jaru
Ali, sob o imenso tapete floral, entre o espaço geográfico já mencionado,
e principalmente entre os rios que eram denominados pelos índios de “Tramac” e
“ Uaneri”, mais tarde denominados pela comissão Rondon por Jaru e Anari,
respectivamente. Vivia a nação Jaru, ao lado dos Tupis, Aruaques, Muras,
Caraíbas, dentre outros grupos, até a passagem da linha telegráfica em 1909,
quando Rondon rasgara a densa floresta tropical nas terras de Rondônia, em
busca de Santo Antônio do rio Madeira. Naquela época, já os nordestinos
marcavam sua presença explorando o látex e arrasando as tribos locais, das
quais Rondon ainda encontrou vestígios nítidos, como três grandes capoeiras e
bananais, já denominadas pelos seringueiros, por São Pedro, a que ficavam em
águas do Coatá, São João e uma outra mais para os lados do Anari. Tais capoeiras
foram localizadas entre 1916-17, quando o tenente-coronel Nicolau Bueno Horta
Barbosa, um dos membros da Comissão Rondon, foi incumbido de explorar o Anari,
então localizou também, alguns poucos Jarus em andanças pela região.
Parte central da localidade de Jaru – Fonte: Amizael Gomes
Em 1912, Rondon voltava pela picada feita anteriormente, agora fincando
os postes e esticando o fio da linha telegráfica, ao mesmo tempo em que
construía a rústica estação do Jaru, em volta da qual guardas-fios e
seringueiros construíam seus tapiris. Também uma firma (CENSE) instalou aí o
barracão Santos Dumont, por considerar lugar estratégico, entre a forquilha
formada pelo rio Jaru e a picada da linha telegráfica. Entretanto, como o nome
foi dado pela comissão Rondon, em homenagem à nação Jaru, perpassou o tempo com
alguns poucos moradores dos seringais do senhor Cantanhede que chegara ali,
depois de assumir o controle da Companhia, quando então tornou-se fundador do
Seringal Setenta. Seringueiros e guarda-fios viveram ali até a abertura da
BR-364 e a implantação de projetos de colonização do INCRA, como o Padre Adolfo
Hohl, responsável pelo crescimento explosivo do minguado lugarejo em finais da
década de 60 do século XX, mas que fora crescendo à medida em que os migrantes
iam penetrando nas linhas abertas por eles e pelo INCRA.
Período dos projetos de colonização em Jaru – Fonte: Assis Canuto
Com o asfaltamento e inauguração da BR 364, iniciou-se ali, um ponto de
apoio aos camponeses e empreiteiras, havendo alguns poucos comerciantes que
permaneceram até o momento histórico da ocupação pelos agricultores vindos do
sul do país, atraídos pelas terras férteis e também porque tinham na certeza de
conseguirem seu próprio sítio onde haveriam de produzir.
BR 364 próximo a Ponte do Rio Jaru.
Ali, as dificuldades foram enormes e cruéis com os migrantes, mesmo
assim sobreviveram como bravos, vendo seus familiares sendo ceifados pela morte
decorrente da malária, que chegou a motivar a triste cognominação de “pátria da
malária”, pelo jornal “O Guaporé”. Outros males danosos, o isolamento
decorrente da precariedade das estradas de penetração e, até mesmo da BR 364
antes de sua inauguração, que em épocas de chuvas, torna difícil o acesso a
outros cantos de Rondônia.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098